quinta-feira, 3 de abril de 2008

Capítulo II - Allez France! Allez France! Allez France!

Estádio Guadalajara, México, 21 de Junho de 1986. A Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo e o sonho do tetracampeonato, mais uma vez, adiado. As imagens de Araquém, o Show Men, personagem que satirizava os adversários derrotados, não foram ao ar. Lembro que ele apareceu, pela primeira vez, antes da abertura dos jogos, num capítulo especial dedicado aos anfitriões. Num bar, arrancou o bigode postiço de um garçom, furtou-lhe uma tequila e sambou abraçado por várias mulheres. Durante os jogos do Brasil, Araquém se tornou uma atração à parte, aguardada ansiosamente após cada vitória. As crianças o adoravam.

Naquele solstício de inverno, o Brasil perdeu para a França. Hoje, imagino como seria o episódio que ninguém viu. Vejo o nosso herói passando pelo Arco do Triunfo, traje militar azul e branco, chapéu panamá e espadachim na cintura. Montado num elegante cavalo amarelo de madeixas verdes, criteriosamente penteadas, faz uma parada no Café Bastilha. Uma espetada na nádega do tratador de animais, a primeira ordem: “Napoleão não come capim, nem bebe água. Pra ele, o melhor vinho tinto da casa e escargots ao ponto. E não deixe de lustrar as ferraduras”. A cena segue com um close no eqüino. Ele vira o pescoço, encara o telespectador e prepara o deboche. Zoom: “ihhhhhihihihi”. Novamente sob o foco da câmera, Araquém emenda um pontapé na porta do estabelecimento, derruba trinta branquelos, entra, e põe outros cinqüenta pra correr. Sob a admiração de divas francesas, pede uma cerveja, saca um pandeiro e puxa o bordão.

“Aha, uhu, a Bastilha é nossa.
Aha, uhu, a Bastilha é nossa”

O que seria o prenúncio do funk carioca não aconteceu além da minha imaginação. Na realidade, Zico perdeu o pênalti que traria a vitória no tempo regulamentar. Prorrogação, novo empate, mais pênaltis. Os detalhes da derrota são cruéis. Sócrates correu, parou, olhou. Fingiu que ia correr, correu de fato e parou novamente. Levantou o pé, pensou e chutou. “Defendeu! Que paradinha infeliz! Esse até o Rafael faria”, gritei. “Será?”, indagou Daniel, meu irmão. Pouco depois, Júlio César beijou a bola que, sem compreender o gesto, arrancou tinta do travessão e parou a longos metros de distância da meta. Fernández converteu para os franceses e partiu pro abraço. E por aqui não houve criança na rua, não houve fogos no céu, não houve cantoria. O vento que bailava pelo cobogó tinha o aroma de tristeza. Acredito que nesse dia se deu o início de uma sentença que perdura até hoje, contra a qual não há santo que advogue. Cinco copas do mundo depois, o Brasil é pentacampeão, mas continua freguês da França. E Araquém, que dias antes deu um olé num espanhol fantasiado de touro, perdeu o emprego e nunca mais apareceu.

Foram alguns dias de luto até a vida voltar ao normal. A turma, que costumava brincar todas as tardes, não se reuniu por uns tempos. E olha que eram muitas crianças! Só em casa, éramos quatro. “Daniel, Mariana, Pedro, Andréa, seu pai chegou”, como anunciava a tia Zefa na saída da escola. Na casa ao lado, os três filhos de Maria Helena: os gêmeos, Daniel e André, e o caçula Rafael, o canhoto. Fábio, Igor e Renata formavam outro trio. Futuros herdeiros de João Luiz, a primeira e única pessoa que vi criar um cabrito em casa, o Zé Mané. Tempos depois descobri que o mesmo tinha sido o prato principal em um almoço para o qual me convidei. Fiquei pasmo! Duas casas ao lado, mais um trio, os irmãos Márdem, Andréia e Adriene, a musa de muitos e o primeiro beijo de alguns. É impossível não lembrar do Marcelo, o suíno, devido à indiscutível habilidade de cuspir numa altura impressionante e, segundos depois, abocanhar o mesmo cuspe. E da Letícia, a oriental. Sob o sol ou sob a chuva, sempre aparecia o Vander, filho do português da padaria, a mesma na qual desenvolvi a técnica de roubar três picolés ao mesmo tempo. E os irmãos Hamílton e Wagner, filhos do dono da banca de revistas de sacanagem, onde inúmeras tardes eu passei.

- Mãe, vou estudar matemática na casa do Hamilton!

Bons tempos. E às vezes me pego distante ao ver essa grama vazia de gritos, impregnada de latidos. Onde estão as crianças? O pique-esconde? O pique-pega? O futebol? As corridas de tampinhas? Os concursos de desenhos? Nossos pais reunidos na varanda? Onde? Onde? Que salafrário é esse que avançou a grade além do permitido? Por alguns metros de jardim privado, estrangulou o passeio público. E essa cerca elétrica que só faz matar passarinhos? Ora, em 1986 também nos preocupávamos com a segurança, assaltos à mão armada aconteceram, bicicletas foram furtadas. Lembro que aos dez anos fui agarrado no pescoço por um pivete. Ele me levou um chinelo novinho. O outro, eu consegui recuperar, antes de me refugiar na padaria.

- Ô pivete, saia já de perto dos picolés.
- Tio, acabei de ser roubado.
- Bem feito. Pra aprender a não roubar dos outros.

Se ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, e o preço do pão também era um assalto, naquele dia aprendi na prática um pouco mais sobre a miséria humana, embora não compreendesse suas causas. Nem por isso passei a andar com canivete, ou mesmo solicitei ao meu pai que providenciasse um poço com jacarés no jardim. O que faz um vizinho colocar uma cerca elétrica, ou avançar a grade em área publica, é a certeza de que por trás de cada irregularidade existe uma base eleitoral. Outro oportunista há de defendê-lo a troco de voto. Aos poucos, o homem deixa de conjugar o verbo além da primeira pessoa do singular. Se não houvesse exceções, a vida seria insuportável.

“A hora é essa!
A hora é essa!
Antes que a gente cresça e se esqueça
De que um dia também foi criança

Soltar a pipa
Bola de gude
Viver a vida
Que o tempo é rude”

Certas coisas me fazem recordar o fim do luto da eliminação do Brasil. Sempre que escuto estes versos, gravados recentemente pelo grupo Batucada de Bamba, lembro-me do Rafael me chamando na porta de casa. A Argentina já era bicampeã mundial.

- Pedrinho, Pedrinho.
- Fala, Rafa.
- Vamos jogar bola?
- Mas você não tá de castigo porque perdeu a chave?
- Tô e não tô. O Maurício viajou e a minha mãe disse que eu posso brincar. Mas só em frente de casa.
- A Maria Helena é massa! Olha só, vou terminar o dever e às quatro horas a gente joga. Você avisa os seus irmãos, o Fábio, o Igor e o Suíno. Eu dou o toque no meu, no Vander, no Hamílton, e ainda passo no parquinho pra ver se encontro o pessoal da rua de cima.
- Tá certo.
- Tá com a bola?
- Tô.
- Você viu o Maradona na Copa? Que craque!
- A canhota dele só não é melhor que a minha.
- O que é isso, Rafael? Você nunca fez um gol na vida.
- Isso é mentira. É mentira!

Nada como uma partida de futebol para lavar a alma. Às quatro horas estávamos todos lá. Com os agregados, entre eles os irmãos Dourado, André e Rodrigo, éramos doze viúvos sedentos de alento. Seis para cada lado, cinco na linha e um no gol. Perfeito para as dimensões do campo, definido nas laterais pela calçada de pedestres e, nos fundos, pelas traves, construídas meses antes em um mutirão. O polígono se fechava com duas ruas de acesso a veículos, a doze metros de cada trave. Aos que aguardavam a próxima, sempre cabia a função de gandula, para evitar a perda de bolas por atropelamento.

Determinado pela conjuntura, o sonho de muitos que se aqueciam era ser jogador da seleção brasileira e, num futuro não muito distante, vingar a derrota contra os franceses, de preferência numa final disputada na casa deles. O cenário, por sua vez, contemplava a presença de alguns pais e muitas meninas. Sempre que elas apareciam, os atletas ficavam mais vistosos: postura ereta, camisa pra dentro do calção, peito estufado. As coxas definidas eram motivo de fuxico, dava pra perceber. As moças também exerciam sobre nós efeitos semelhantes ao de um doping tradicional. O fôlego e a valentia aumentavam. E ninguém queria passar vergonha na frente delas.

O jogo da redenção começou com um imprevisto. Aos dez segundos de partida, a primeira confusão. Fábio rolou a bola pra trás. Do meio de campo, Vander emendou uma bicuda em direção ao gol. A bola fez uma curva esquisita e acertou em cheio o nariz do meu irmão, antes de sair pela lateral e parar na sombra da nespereira. Ainda zonzo, Daniel, que tinha um temperamento acentuado, levantou e desferiu um cascudo no Hamílton que não teve nada a ver com a história.

- Ai, ai, ai. Eu sou do seu time, porra!
- Foi mal! Confundi.
- Foi mal porra nenhuma. Vem! Vem!

Eu não sei o que passou pela cabeça do Daniel além da bola, mas, por sorte, os pais intervieram. Para efeito de apaziguamento, ficou decidido que o jogo recomeçaria com o meu irmão no gol, até ele resfriar as idéias. O Rafael, que havia perdido no par ou ímpar americano, passou para a linha. Recordo do diálogo no momento da troca:

- Pode deixar, vizinho, eu vou acabar com eles.
- Meu nariz tá sangrando? Será que a Adriene viu?
- Você escutou o que eu disse?
- Escutei, Rafa.
- Rafa, não. Maradona! Diego Armando Maradona!

O jogo recomeçou pela lateral. Um dos gêmeos arremessou para o Igor, que rebateu pro Fábio numa bonita passada de peito. A diagonal em direção ao Vander foi interceptada por um carrinho de Hamílton que, num gesto de perdão, recuou a bola para o Daniel. Um espectro de paz arrepiou a todos, alguns aplaudiram. Mais calmo, meu irmão lançou pro Rodrigo, que tocou pro Suíno, que tocou para mim. Driblei o Igor e cruzei em direção ao Rafael, posicionado na lateral esquerda. O arco foi mal feito e à meia altura, mas o canhoto da turma evitou a saída com o calcanhar esticado por trás do corpo. Num belo lance, a bola passou por cima dele que, sem deixá-la cair, usou o joelho para aplicar o drible do chapéu no Vander. Impiedoso e sob os gritos de “olé no picolé”, passou o pé esquerdo sobre a pelota, se esquivou pra direita e deixou o Fábio no chão. Rapidamente, os gêmeos, na função de dupla de zaga para confundir o nosso ataque, chegaram para o combate. Numa jogada espetacular, Rafael travou a redonda na canhota. Sem freio, seus irmãos se trombaram. Ele partiu novamente pela esquerda e, antes do empurrão do Igor, desferiu uma bomba na direção do ângulo direito da meta adversária. André Dourado, o único que levava a posição de goleiro a sério, voou com os braços esticados, em vão. Que golaço!

Jamais esquecerei esse dia. Um dos gols mais bonitos que já vi, digno do autêntico Maradona. Feio foi o que aconteceu depois. Enquanto o nosso canhoto recuperava o equilíbrio e erguia os braços, a bola acertou uma moita, desviou rasteira e enganou o Mardem, o gandula da vez. Saltou no meio-fio, quicou três vezes no asfalto e cravou entre o pára-lama e a roda dianteira de uma lambreta que ia a aproximados sessenta quilômetros por hora. "Pelas barbas do profeta", gritamos em coro, quando a roda de trás empinou, transformando o veículo em uma catapulta que arremessou o condutor a muitos metros de distância. Pânico geral! As meninas tamparam os olhos. Os meninos correram para ver os detalhes. Ainda no chão, a vítima do primeiro gol do Rafael foi acudida pelos pais. Felizmente, o sexagenário que se arrastou pelo concreto não se machucou de forma grave, devido ao uso de capacete e traje apropriado. Assim, os primeiros socorros foram prestados antes de se ouvir a sirene. Quando a ambulância partiu, não havia a mínima condição psicológica para retomar o futebol. Pelos meus cálculos, contando a confusão inicial, a partida não passou dos cinco minutos. Uma tragédia sem precedentes. Em pranto, as damas partiram. Rafael coçava a cabeça sem parar, de um lado pro outro, inquieto. Alguns consolaram seus filhos. “Seu lugar não é aqui, é nas Laranjeiras”, ouvi do meu pai. E outros dias se passaram sem crianças na rua, sem fogos no céu, sem cantoria. Apenas um vento atrevido a bailar pelo cobogó.

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A tristeza é um parasita que reside na memória. Todos recordam onde estavam e o que faziam num determinado dia triste. Quando há reincidência temática, então, nem se fala. Doze anos depois do sexagenário se arrastar pelo asfalto, Brasil e França se reencontraram da forma em que muitos dos que estavam em campo sonharam, numa final e na casa do adversário. A diferença entre o sonho e a realidade é que na escalação do time não havia nenhum dos antigos amigos no gramado, e nem no banco de reservas. De alguns nunca mais tive notícias, mas sei que o Vander virou padeiro e o Hamílton administra um vídeo clube pornô. O canhoto da turma se tornou antropólogo e seus irmãos gêmeos continuam nos confundindo. Ambos são músicos, violinistas de orquestra. Alguns fizeram filhos, outros compraram cães. A maioria não mora mais por aqui. Eu mesmo passei dezessete primaveras em outros jardins, até voltar em meados do ano passado. São esses recortes no tempo que nos ensinam a velocidade dos dias.

Assisti a alguns jogos da Copa do Mundo de 1998 na Universidade de Brasília, onde cursava arquitetura e militava no movimento estudantil. Tempos de rebeldia. Meu ódio contra o sistema aumentava exponencialmente e se refletia em atitudes, gestos e vestimentas. Recordo dos meses que antecederam o início dos jogos. Em fins de março, pouco após o equinócio de outono, completei um mês em meu primeiro emprego, estagiário no Centro de Planejamentos da Universidade de Brasília.

- Cláudio, quando é que você vai me pagar? Já passou o primeiro mês.
- Não entrou o dinheiro na conta?
- Conta? Que papo é esse?
- Que papo é esse? Como assim? Todo mundo recebe o salário no banco. Eu avisei pra você abrir uma conta.
- Caralho. Esqueci!
- Tá avoado, hein?
- Ô Cláudio, abre uma exceção. Me paga aí. Eu odeio bancos.
- Não existe isso, Pedro. Pirou? E mais: quem te paga é a Universidade. E não eu.
- Então pede pra depositarem o meu salário na sua conta e você me repassa em notas de dez reais. É pouco mesmo.
- Não tô acreditando no que estou ouvindo. Vai lá resolver isso logo. O banco é logo ali. Vai. Vai.

Sai resmungando em voz baixa.

- Quero só ver se essa greve vingar. Eu é que não vou trabalhar! Eu é que não vou trabalhar!
- O que você disse?
- Eu disse que já tô indo lá. Eu disse que já tô indo lá. Tá surdo, chefe?
- Vê se compra umas roupas quando receber. Pelo menos um sapato. Esse chulé tá de lascar!

Alguns minutos depois, contrariado, cheguei ao banco para resolver aquela pendência. Minha tática era dar conta da situação o mais rápido possível. De preferência, sem ser visto por amigos de militância. Sob olhares, girei três vezes na porta de detector de metais até entrar. Eu realmente não queria fazer aquilo, mas retirei uma senha e sentei. Em uma televisão estava passando um especial sobre copas do mundo, uma espécie de contagem regressiva. Aproveitei para conferir a acusação do meu chefe. Discreto, levantei o pé até o nariz. “Já reparou que todo coro bom tem um cheiro de peido de vaca?”, comentei com um aposentado que me olhava estupefacto. A resposta foi imediata: “esse aí é do tempo em que o touro subia a montanha. Que saudade”. Demorei pra entender a charada, mas ri educadamente. Alguns minutos depois, discutia com o atendente.

- Você acha que eu não sei pra quem você trabalha? Não vou te passar os meus dados.
- É necessário, senhor. São normas.
- Quem é que criou essas normas?
- Não sei, senhor. Acho que elas sempre existiram.
- Antes do Big Bang, inclusive?
- Quê?
- Tá entendendo o que eu tô querendo dizer?
- Senhor, não tenho como abrir uma conta sem os seus dados.
- Vai dizer que não ganha comissão por dados obtidos?
- O que é isso, senhor. É parte de um cadastro obrigatório a todos. E seus dados são sigilosos.
- Conversa fiada.
- Meu senhor, confie em mim. Eu sou terceirizado e ganho muito pouco pra ficar ouvindo isso, revelou um funcionário completamente à vontade.
- Olha aqui, rapaz, duvido que seja menos do que vou ganhar, mas me identifiquei em você. Vou te passar os meus dados, mas se esta informação vazar eu volto aqui pra gente se entender. Captou?
- Fique tranqüilo, senhor.

Desconfiado, passei os meus dados. Após preencher o formulário, o bancário ainda veio com outra.

- Agora, senhor, a senha.
- Eu já te entreguei a senha. Tá de gozação com a minha cara?
- Não, senhor. Você me entregou a senha de atendimento. Eu estou falando da senha do cartão.
- Eu tenho mais o que fazer, companheiro. Passa logo o meu salário. Não quero cartão nenhum!
- Senhor, seu salário vai ser depositado na conta e você vai precisar de um cartão para retirar o dinheiro. E todo cartão tem uma senha, compreende? São normas. É assim que funciona.
- Mais que saco! Anota aí: abracadabra.
- Não, senhor, é uma senha de seis números e...
- Então anota aí: 2,2,0,1,7,7.
- Meu senhor, eu não posso saber a sua senha. Você deve digitá-la aqui. E pelo que eu tô vendo esse é o dia em que você nasceu. Não recomendamos o uso de datas significativas ao cliente, por questões de segurança.
- Tá vendo. Você já está usando os meus dados. E contra mim. Faz o seguinte: me empresta um papel, uma caneta e uma tesoura. E vira pra lá!
- Ave Maria, o que é que tá acontecendo aqui?

Não usar datas significativas é o cacete, pensei. Como é que eu iria lembrar depois? Escrevi em um papel o dia da publicação do Manifesto Comunista e o da morte de Che Guevara. Recortei cada número, dobrei os pedaços e pedi pro atendente retirar seis. “Já pode desvirar. Retire um de cada vez e depois passa pra mim. Não vale olhar”. Antes de sair, engoli os números restantes e criei uma lógica para memorizar as datas despedaçadas. Ora, se o banco tem suas normas de segurança, eu tenho as minhas.

Quando a copa começou, os professores e funcionários estavam em greve, tempo em que fiquei sem salário. Dediquei-me, noite e dia, à organização de um acampamento de estudantes no meio do Minhocão, prédio central da Universidade, em apoio às bandeiras de luta e pela formação de uma tríplice aliança. “Estudantes, professores e funcionários, uni-vos”, ouvi certa vez numa assembléia. Os acampados também construíram uma pauta de reivindicações, que não se restringia à defesa do ensino público e à questão salarial. Mais radicais, no discurso e na prática, para nós, cada barraca era uma trincheira na luta contra o capitalismo. Fomos um amargo chá de problemas para a reitoria e seus lacaios, ainda que sob alguns tropeços.

Durante os três meses em que a greve durou, morei numa barraca com a companheira Clarisse, dona de um humor singular. Ela e sua saia rodada, seu rosto rosado, repartido por duas tranças, sua blusa rendada acima do umbigo. Eu e minha estampa “hasta la victoria siempre”, ventilada no sovaco esquerdo, chinelos de couro e um imenso bigode. “Um amor nada convencional para os parâmetros burgueses”, gabávamos. O Fábio, aquele que não pode mais herdar o cabrito Zé Mané, e a Izabel, formavam outro casal original. Ele, bicho-grilo que andava aos trapos com sua vasta barba e cabeleira. A própria reencarnação de Cristo. Bastava-lhe um cajado e um sino para conquistar, enfim, o seu próprio rebanho. Ela, uma carioca, criada na Mangueira, ex-passista da Escola e vinte anos mais velha. Uma negra com todos os atributos da raça: guerreira, bela e autêntica. E estávamos lá com tantos outros, nas palavras de ordem, no aprendizado da ação política. Quem por ali passou deve ter visto um bigode atrás de um microfone, cantando uma música do Chico Buarque de Holanda com sutis alterações:

“chego a mudar de calçada
quando aparece o reitor
que dá risadas do professor
verdade”

Três dias após as semifinais da Copa, encontrei o Rodrigo Dourado saindo da sala de aula.

- Porra, Dourado, tá pelegando?
- Não tenho culpa. O professor não parou. Se eu perder essa matéria atraso o curso.
- Que filho da puta. Apareça na assembléia dos estudantes pra denunciar esse merda.
- Será?
- Claro, porra! Mas, me diz uma coisa, onde você vai assistir à final?
- Na casa da Renata. Estamos completando um ano de namoro e ela convidou uns amigos. Vamos nessa? Chama a Clarisse, o Fábio e a Izabel. É só levar a cerva.
- Se eu conheço a Renata, só vai dar filhinho de bacana lá. Sei não. Eu ando meio sem paciência com essas coisas.
- Deixa disso, Pedro. Também não é assim. Vai uma galera massa, pode acreditar. Vamos nessa!
- Pode ser. Pode ser. Até porque a televisão do acampamento está com problemas no sinal. A gente desconfia que é mais uma sabotagem da reitoria. Algum satélite foi desviado.
- Caralho, Pedro, que viagem. Você tá precisando dormir uns dias em casa.
- Você é que não tem idéia das coisas que andam acontecendo por aqui.
- Bom Bril resolve esse problema.
- Aí é que você se engana. Gastamos um pacote de Bom Bril em cada antena. É sabotagem, com certeza. Quanto ao jogo, respondo após consultar as bases.

Resolvemos aceitar o convite. As imagens em nosso aparelho pioraram ainda mais. O endereço indicado era num bairro nobre de Brasília. No caminho, compramos nossa cota de cerveja no atacado. Ao chegarmos, um primeiro detalhe, pouco comum na época, chamou a atenção do Fábio. “Vocês viram aquela mesa branca tomada de celulares pretos?”. “Essa casa é um ninho dos inimigos de classe”, emendou a Izabel. De fato, um extrato considerável da alta burguesia de Brasília se encontrava no ambiente, ou pelo menos pessoas que queriam se passar por tal. Fiquei puto com o Dourado, mas o início da partida estava próximo e seria deselegante partirmos. “Fica entre nós este desvio de conduta, ok?”, sugeri em uma reunião improvisada. Todos concordaram.

Stade de France Saint-Denis, 12 de julho de 1998. A seleção estava irreconhecível. Os nervos, à flor da pele. Não demorou, a partida irritou a Clarisse, que irritou os demais com seu brado fora de hora. “Allez France! Allez France! Allez France!”. Se a cada oportunidade ela repetia a interjeição, a cada repetição o pessoal ficava mais indignado: “alguém amordaça essa mulher”. Mas, ao contrário das cervejas, as reclamações não tiveram êxito. “Allez France! Brazucas mercenários! Allez France!”. Sem noção do perigo, Clarisse, aos poucos, se tornou o bode expiatório da raiva comum a todos, enquanto Zinedine Zidane começava a conquistar o status de maior vilão do Brasil em copas do mundo, com dois gols no primeiro tempo. No intervalo, tivemos uma conversa.

- Clarisse, me acompanhe. Vamos ali fora. O Rodrigo veio falar comigo. Tá todo mundo reclamando desse negócio de você gritar “allez France”. A Renata tá puta! Aquela amiga dela, mais ainda! Tá cheio de marombado aqui e isso vai dar merda!
- Você tá do lado deles!
- Não!
- Tá sim!
- Não tô, Clarisse.
- Vamos embora! Tô bêbada! Ihck. Esse jogo tá vendido.
- Dengo, preste atenção. O ambiente é desagradável, a seleção tá uma bosta, mas quero ver o segundo tempo. Conheço o Rodrigo desde criança e a gente combinou de ver esse jogo.
- Futebol é o ópio do povo! Você mesmo já me disse isso!
- Eu? Que é isso, Clarisse?! Tá, admito, mas é a final da copa. Alivia. Já te disse que a Seleção Brasileira e o Fluminense são as exceções à regra.
- Eu vi. Eu vi. Ela te olhando.
- Quê?
- Essa aí que você tá falando! A amiga da Renata.
- Tá louca?
- Eu vi. Ihck.

Era mais que necessário mudar o foco do diálogo, mas a tensão era inevitável.

- Dengo, me escute.
- Tô ouvindo.
- Você sabe quantos africanos morreram no período da clássica colonização francesa? Hein? Hein?
- Não mude de assunto. Por que você tá falando isso?
- Milhares, Clarisse! Milhares! Pergunta pra Izabel! Agora... Você tem idéia da carnificina que os franceses fizeram no Vietnã antes dos americanos? Hein? Hein? Hein?
- Calma!
- Você sabe quanto uma mutinacional de merda da França paga por hora a um trabalhador brasileiro? Hein? Hein? Hein? Já ouviu falar em Napoleão Bonaparte? Hein?
- Não briga comigo. Fala baixo.
- Você acha que eu tô dormindo na universidade porque concordo com tudo isso?
- Não. Não acho. Calma! Calma! Calma!

Foi quando explodi.

- Então, cacete! O que tá em jogo aqui é muito mais do que um campeonato de futebol, percebe? Todas as frentes de luta contra o imperialismo devem ser consideradas. Isso não é Brasil contra a França. Isso é oprimido contra opressor. Historicamente falando! Já perdemos pra eles no México, em 86, e basta. Eu quero mais que se fodam esses alienados que vestem a camisa do Brasil de quatro em quatro anos, representantes desse patriotismo pequeno burguês de merda, mas estamos em minoria.
- Você vai ter um treco. Ihck.

Aliviado, prossegui de modo mais doce.

- Dengo, eles estão nervosos, percebe? Outro dia você me deu uma bronca porque joguei bosta de cavalo na polícia, na manifestação, e tá achando que aqui é diferente?
- No dia do pombo desarranjado?
- É Clarisse! É Clarisse! Precisava lembrar deste detalhe?
- Adoro quando você fala assim. Repete!
- Deixe de ser boba.
- Já te disse que você fica bonitão de bigode? Parece o Zapata. Ihck.
- Outro dia você falou que eu tava parecido com o Sarney?
- Eu tava com raiva de você.
- Hum...
- Te amo, sabia?
- Eu também.
- Também não vale! Fala! Fala!
- Fala o que?
- Que me ama, ihck.
- Eu te amo, Clarisse.
- Não acredito!

Até que Clarisse se comportou durante o segundo tempo. Em compensação, cochichou “ihck, allez France” umas trezentas vezes no meu ouvido. O problema foi quando o jogo acabou e o fio desencapou de vez. “Allez France! Allez France! Allez France!”. Uma lata de cerveja foi arremessada em nossa direção e um princípio de briga se formou. A tal amiga da Renata teve que ser contida. Com um invejável teor alcoólico nas veias, ela apontava para nós dizendo que não éramos brasileiros, e ainda nos chamou de cambada de esquisitos. “Aí, filhote de pavão escovado, isso é racismo! Se não calar a boca eu vou te denunciar”, ameaçou Izabel, com seu sotaque carioca. O fato é que a perua encasquetou com a Clarisse, que se divertia cada vez mais. Ofensas à parte, o Fábio foi importante naquele momento. Acho que a sua semelhança com o suposto filho de Deus contribuiu para que os ânimos se acalmassem. Não sei o que ele disse do lado de lá, nem lembro do que foi dito do lado de cá, mas o choro virou coletivo, alguns se abraçaram. Pouco tempo depois, minha companheira e sua rival estavam sentadas no gramado, embriagadas numa longa conversa. “Isso ainda vai dar merda. Eu conheço a peça”, pensei, mas decidi continuar tomando cerveja, apesar da minha cota ter sido consumida ainda no primeiro tempo.

E não deu outra. O armistício foi interrompido, quando dois leões de chácara se aproximaram, seguraram a Clarisse e, sob os gritos de “Brasil. Brasil. Brasil”, a arremessaram na piscina. Foi tudo muito rápido. Com outros, tentei impedir, sem sucesso. Logo ela estava dentro d’água, puxando os cabelos e aplicando um caldo num dos agressores que já se encontrava na condição de vítima. Tampei o nariz e pulei. Sem a mínima chance de dar conta do sujeito, me empenhei em separar os dois. Com a cara toda arranhada, ele foi para uma borda. Fomos para a outra.

- Vamos embora, Clarisse. Vamos embora! Tava escrito que ia dar merda!
- Calma aí. Isso não vai ficar assim. Mas não vai mesmo!

Clarisse saiu d’água, torceu a saia, e, sem ajeitar o biquíni, correu em direção ao seu principal desafeto. Jurei que nunca mais discutiria com ela quando a vi aplicando uma voadora no peito da infeliz, que caiu desmaiada no chão. A tensão atingiu o seu ponto máximo. Por pouco a pancadaria não se generalizou. O Fábio, mais uma vez, conseguiu evitar o pior, com a ajuda de seguidores arrebanhados às pressas. Sob pequenos empurrões e grandes insultos, pegamos as quatro últimas latinhas de cerveja e demos no pé. Minha amizade com o Rodrigo, que não tomou parte a nosso favor, ficou abalada por uns tempos. Horas depois, de volta à barraca, por precaução, coloquei um travesseiro entre eu e a Clarisse antes de dormir. Os tormentos de um dia costumam invadir os sonhos. Mas, naquela noite, o silêncio no acampamento traduziu o sentimento coletivo de tristeza.

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Não tenho dúvidas. Hei de lembrar da Clarisse, e de sua indiscutível vitória por nocaute, sempre que o Brasil jogar contra a França. Assim se fez, oito anos depois, na última Copa do Mundo. Um dia antes de mais um confronto entre as duas seleções, trocamos palavras e risos por telefone.

- Quer dizer que você resolveu assistir ao jogo sozinha?
- Talvez eu nem assista.
- Talvez seja melhor assim.
- Engraçadinho.

FIFA WF Stadion Frankfurt, Alemanha, primeiro de julho de 2006. O dia em que a escrita se consolidou. Mais uma eliminação do Brasil. Novamente pelos pés dos franceses. A terceira derrota em quatro confrontos na história das copas. O meu pai era uma criança quando vencemos a França, pela primeira e última vez. E Pelé, um adolescente de dezessete anos que encantou o mundo e ajudou o Brasil a conquistar o seu primeiro título. De lá pra cá muita coisa mudou. Confesso que não dei muita importância quando o juiz apitou a sentença. A Seleção jogava mal. A publicidade em torno dos jogadores se encontrava a níveis intoleráveis. O Galvão Bueno nem se fala. Mas o caso dele é outro, nasceu pra ser chato. O fato é que o resultado não me surpreendeu. E o meu maior lamento foi o cancelamento de uma roda de samba que acontecia após cada vitória.

Meses antes da copa, meu irmão começou o namoro com a Charlotte, uma simpática francesa que o carregou para Paris no verão seguinte. “Daniel, dá uma cabeçada no Zidane por mim”, foi a última coisa que lhe pedi ao me despedir. É claro que fui apresentado a muitos descendentes de Napoleão. Naquele primeiro de julho, assim que o jogo acabou, só pensava na Brigitte. Confesso que estava tomado de amores por ela. E nossos olhares, quando de encontro, por vezes denunciaram um desejo recíproco. “É um gesto antipatriótico, mas que se dane”, pensei, quando decidi telefonar. Conquistar pela primeira vez os carinhos dela não seria rendição. Seria um sincero acerto de contas.

- Alô. Brigitte?
- Pedru. Pedru. Allez France! Allez France!
- Parabéns Brigitte. Allez France pra você também. Você tá aonde?
- Em casa com amigus da Embaixada. Vem pra cá! Vem pra cá! Tá tocando sambá, sambá. Allez France! Allez France!
- Que absurdo!
- Quê?
- Nada não. Tem brasileiro aí?
- Tem. O garçom, Pedru. Vem, Pedru. Vem!

Que filhos da puta, pensei. Comemorar a vitória era justo. Mas, com samba, e servidos por um garçom brasileiro, era uma humilhação descabida. Uma herança do período clássico do imperialismo francês. A partir desta conclusão, minhas ações foram guiadas por um problema renitente: a capacidade de virar um idiota quando apaixonado por alguém. É tiro e queda. Bastou imaginar os lábios da Brigitte em câmera lenta. E aquele suculento biquinho francês pronunciando “vem, Pedru” acabou com quaisquer resquícios de orgulho em minha alma. Só precisava ter certeza do sucesso da empreitada.

- Brigitte. Preciso muito te ver. Vou levar umas cervejas que sobrou, ok? Só uma coisa: tô arrasado e vou precisar de um consolo especial, se é que você me entende?
- Não entendu, Pedru. Vem! Vem! Allez France!

Não estava disposto a perder a viagem. Sem escrúpulos, gastei todo o meu francês para ser compreendido na íntegra.

- Allez France. Alô, França. Monamur, telecoteco, bizu. Abajur, nheco-nheco com Pedru. Entende?
- Vem, Pedru. Vem. Sambu. Telecutecu. Allez France! Allez France!

É hoje, pensei. Liberdade, igualdade e fraternidade do jeito que o diabo gosta. Segui em direção à casa da Brigitte, recordando momentos vividos em circunstâncias idênticas. Só ela para me fazer conceder o perdão à Sócrates, à Zico, à Zagalo, à Júlio César, aos Ronaldinhos. À Napoleão Bonaparte, à Parreira, à tal amiga da Renata, à Zidane e até ao Galvão Bueno. Todos estavam no pacote de misericórdia, inclusive eu. A exceção era o Roberto Carlos. Agachar na hora do gol para ajeitar a meia é imperdoável. Mas, quando entrei naquela casa, tomado por um patriotismo pequeno burguês de merda, comecei a passar mal. Da Brigitte ganhei apenas dois “copus” com água e sal, e alguns cafunés. Do garçom, um pano úmido que pus na nuca. “Valeu, Severino. Nosso dia há de chegar”, agradeci, comovido. Quando a pressão voltou ao normal, fui pra casa e ainda dei carona para três franceses. Inacreditável. Pelo menos vomitei no jardim deles.

O último Francês que conheci se chama Antonio e toca contrabaixo acústico na mesma orquestra do Daniel, um dos gêmeos de Maria Helena. Antonio é presença garantida em algumas rodas de choro da cidade. Outro dia ele me contou que não pretende voltar pra França. Também, esse Brasil só lhe dá alegria. Hoje ele mora com o Daniel, que deixou a mãe aos cuidados do namorado e de duas cachorras barulhentas, a Laila e a Pretinha. Todos os dias elas me acordam em uníssono. É cada susto que tomo! O pior é que elas latem por qualquer motivo, a toda hora. Outro dia vi a Laila rosnando para um caramujo. A lembrança dos apuros que passei, após um amigo esmagar uma dessas criaturas, foi imediata. “Nem pense nisso”, gritei, enquanto esfregava os olhos para ter certeza de que aquilo estava acontecendo. Já o nome da Pretinha foi citado, na última reunião do bloco, como responsável pelo aparecimento de alguns excrementos nos fundos das casas, área comum a todos. Maria Helena, relatora na ocasião, apresentou recentemente a ata com uma pequena alteração de texto. E quem ouviu “o cocô da Pretinha” leu “o cocô dos cachorros da vizinhança”. Todos assinaram.

Às vezes também prego um susto nelas. Tenho a postos uma máscara veneziana de carnaval que é perfeita para essas ocasiões. Fico na espreita até elas saírem pro jardim ao lado. Na primeira pausa do latido, dou uma chinelada no chão, balanço os braços e grito: “Allez France! Allez France! Allez France!”. Não sei se elas assistiram à última copa, mas sempre se assustam, me olham e correm apavoradas pra dentro. Logo consigo alguns minutos de silêncio. Outro dia, num samba que fiz aqui em casa, o Daniel, que conviveu com essa desgraça por muito tempo, sugeriu que eu as envenenasse. “Minha mãe não vai suspeitar de você”, ouvi dele, enquanto afinava o violino. Depois de passar por problemas com o Eduardo, o outro vizinho de parede, não pude concordar com a proposta, embora tentadora e genial. Um filé de porco na manteiga, um pão francês e muito veneno, com páprica, para enganar o olfato apurado. O Daniel ainda me passou um detalhe importante: “não pode ser pão dormido porque elas não gostam”. Como garantia, concluí, uma azeitona em cada fatia, selecionadas conforme o tamanho dos caroços. Minha idéia era causar a obstrução da faringe, o que dificultaria, ainda mais, a respiração das cadelas: paz.

7 comentários:

Melissa disse...

Cabeça de bagre, sensacional, você apesar de ser um cabeção de bagre escreve muito bem.Allez France!!beijim

Camilinha disse...

"Que salafrário é esse que avançou a grade além do permitido?"

vou te confessar que não li o texto todo...rs. mas do que eu li eu gostei muito. por onde andas, neguinho?!

beijos daqui...

Chéri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chéri disse...

Fala, Pedro.

Maneiro o texto! Deu saudade da quadra. Toda vez que passo por ela penso a mesma coisa em relação às grades. Que merda isso...

Abs!

Daniel

Anônimo disse...

Ainda bem que vc lembrou da cena mais engraçada! Vc, num ato de valentia, TAMPOU o nariz e pulou na piscina para tentar salvar sua amada...rs

Abraço

Rodrigo

Chéri disse...

Porra, cadê o novo episódio? Aguardando o (tragicômico) relato sobre a desejada bicicleta do Rafael, o homem sem gols.

Abs!

Daniel

Anônimo disse...

Não os conheço. Ainda assim, lendo, pensava onde estava eu que meu nome não fora citado. Muitas semelhanças, incrível!!
Os traços das amizades, o futebol de rua, a arquitetura, o dispertar político entre outras...
Acredito que são sínteses de uma época e você as descreveu muito bem.
PARABÉNS!!!